quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Ponto do amor

Toda manhã eu entro no ônibus das seis e meia para trabalhar, e quem precisa desse meio de transporte sabe como é difícil compartilhar o mesmo oxigênio com várias pessoas. O ônibus estava cheio e diante de tantas pessoas eu só prestei atenção no casal de velhinhos que estava no banco da frente. Tudo começou quando a velha gritou "Você vai fazer o que o doutor disser" e o seu marido respondeu "A mulher, já disse que não tô doente" e ela retrucou "Quer morrer e me deixar nesse mundão sozinha?" e eles continuaram o bate boca. 
Enquanto os dois estavam discutindo eu me fiz algumas perguntas. Será que esse é o amor que todos procuram? Será que um dia eu vou me casar e viver uma história de amor? Será que eu vou chegar nessa idade? Qual será o nome dos meus filhos? Será que vou ter netos? Então eu sorrir por ter viajado tão longe, isso é o efeito colateral de ter visto o amor de perto.
Voltei a prestar atenção no casal de velhinhos, a senhora continuava insistindo "O veio, o que custa tomar o remédio?" e ele respondeu "A dona Ana, com cê não tem jeito mesmo, eu vou tomar, mas por você" a mulher abriu um sorriso até as orelhas, o abraçou e disse "Eu te amo, Zé". Foi nessa hora que eu entendi o que era o tal do amor. Meu ponto chegou, estava na hora de voltar a realidade. Desci do ônibus, olhei para o casal e dei tchau para o amor com esperança de reencontrá-lo algum dia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário